No Sofá…apresenta a odontopediatra Dra. Suzana Beatriz Portugal de Fucio

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***** Suzana Beatriz Portugal de Fucio é Odontopediatra há 16 anos,
especialista, mestre e doutora pela UNICAMP. Consultora Internacional em Amamentação, atuando no aleitamento materno há 5 anos. Atua em consultório, a domicílio, online e em cursos de pós-graduação. Curitibana, por 10 anos esteve em São Paulo aprimorando-se no atendimento a bebês. Mãe da Sarah e do Theo.

Seu IG é @suzanafucio

Amamentar é um enorme desafio diário que envolve interpretar as
necessidades de um bebê que ainda não fala, compreender o funcionamento de um novo corpo da recém-mãe e administrar com paciência e sabedoria um excesso de opiniões de familiares, amigos e profissionais que por muitas vezes ainda desqualificam a atuação materna. Mas ficaria muito mais fácil se essa rede de apoio estivesse alinhada com as escolhas maternas e suprida de informações verdadeiras e atualizadas, não é? Por isso vamos abordar
aqui algumas dúvidas ainda muito presentes no meio da maternidade e do aleitamento.

“Os bebês nascidos de parto cesáreo apresentam mais
dificuldades para mamar.”

Não necessariamente! O mais importante é alinhar com a equipe do parto algumas práticas que favorecem a amamentação, como o contato imediato entre mãe e bebê e a mamada na primeira hora de vida. Aguardar entrar em trabalho de parto também pode favorecer a liberação de hormônios importantes, além da possibilidade de
nascer um bebê mais disposto a mamar.

“O bebê ficará mal acostumado se não tiver horário para mamar.”

A recomendação é que a amamentação seja feita em livre demanda,
isto é, sem restrições de horários e de tempo de permanência no seio
materno. Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com grande frequência e sem horários regulares, já que seu estômago ainda é muito pequeno e o leite materno é um alimento de fácil digestão. Vale lembrar as famílias que, além de nutrição, peito é segurança, aconchego, conforto, calor, proteção, carinho, vínculo.

“O uso de mamadeira da marca x ou por poucas vezes ao dia não
fará o bebê desmamar do seio materno.”

A verdade é que não existem doses seguras para uso de qualquer tipo de bico ou mamadeira, mesmo aquelas com válvulas ou com forma semelhante ao seio materno, segundo a descrição do fabricante. Isso porque a capacidade de adaptação e aceitação de cada bebê é muito variável. De qualquer forma, o fluxo de leite e a maneira de sugar a mamadeira ou a chupeta são muito diferentes do seio materno, podendo levar ao desmame precoce.

“Amamentar vai prejudicar a estética dos seios, deixando-os
caídos.”

Isso não é verdade faz tempo. Estudiosos da área de cirurgia
plástica mostram que as principais e reais causas da flacidez mamária são a hereditariedade, o envelhecimento, as grandes perdas de peso, o número de gestações e o tabagismo. Quando grávidas, algumas mulheres percebem o seio aumentar de tamanho, ficar mais pesado e mais sensível. A região da aréola e mamilo também pode aumentar, ficar mais escura e produzir um óleo capaz de hidratar a região. Portanto, a gestação prepara o seio para a amamentação, mas o ato de amamentar não prejudica essa questão estética.

“A prótese de silicone vai atrapalhar a amamentação.”

A maioria das mulheres com próteses consegue, sim, amamentar. Mas é importante planejar a cirurgia buscando minimizar os impactos na amamentação, tomando cuidados com o local da incisão (corte), o local de colocação da prótese e mesmo o tamanho da prótese. E se a prótese já foi colocada, é importante buscar suporte profissional para identificar o mais precoce possível alguma dificuldade na amamentação que possa surgir.

“Amamentar ajuda a perder peso.”

Você sabia que 500 a 700 Kcal são gastas por dia na amamentação? Além disso, os hormônios relacionados a produção e saída do leite são capazes de atuar nos reservatórios de gordura e dificultar a produção de novas células adiposas. E atenção: esse impacto pode ser ainda maior se o aleitamento materno é exclusivo (sem uso de fórmulas) e com maior tempo de duração. Entretanto essa perda de peso também é influenciada pelo peso da mulher antes da gestação, pelo ganho de peso durante a gestação, estilo de vida, entre outros. Não é regra!

“A atividade física pode reduzir a produção de leite.”

Exercícios regulares de intensidade moderada a alta não tiveram efeitos negativos na qualidade e na quantidade do leite materno produzido, segundo alguns estudos. Inclusive a prática de atividades físicas durante a gestação está associada a um bom resultado na amamentação. Recomenda-se iniciar as atividades gradualmente, conversar com o médico, alimentar-se (dietas restritivas podem atrapalhar) e hidratar-se bem e atentar-se a uma boa sustentação dos seios.

** Viram quantas informações não verdadeiras podem desestimular as mães em seu desejo de amamentar? Por isso é importante buscar
profissionais atualizados e verdadeiramente engajados em proteger o
aleitamento materno, respeitando as escolhas de cada família. Podem contar comigo!