Coronavírus: sabonete fora da validade não é eficaz na higienização das mãos

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Além de não garantir a eliminação do vírus causador do COVID-19, produto vencido pode causar alergias e irritações na pele

É de conhecimento geral que uma das maneiras mais efetivas de prevenir a transmissão do novo Coronavírus é através da higienização frequente das mãos com água e sabão. O problema é que o sabonete é um item tão comum dentro de casa que, muitas vezes, esquecemos que ele também possui uma data de validade que deve ser respeitada para garantir sua eficácia na eliminação de microrganismos. “Além de deixar de fazer o efeito desejado, após o fim da data de validade, as substâncias presentes no produto que evitam a proliferação de bactérias e fungos perdem a ação. Logo, o uso do sabonete vencido também pode causar complicações como alergias, manchas, irritações e sensibilização na pele, além de infecções mais sérias”, explica a especialista em Estética e Cosmetologia Isabel Piatti, embaixadora do Centro e Instituto Internacional de Aprimoramento e Pesquisas Científicas (CIA) e Membro do Conselho Científico da Academia Brasileira de Estética Científica (ABEC).

Então, antes de usar um sabonete para higienizar suas mãos, verifique no rótulo a validade do produto. “Segundo a regulamentação da ANVISA, o fabricante é obrigado a indicar para o consumidor onde se encontra o lote e prazo de validade. Estes devem ser informados na embalagem secundária, a caixa na qual o produto vem, ou diretamente na embalagem primária, o produto em si”, afirma Isabel.

Além do prazo de validade, devemos prestar atenção também no PAO, Period After Opening ou período após aberto, que, infelizmente, não consta em todos os produtos. Ele indica em até quanto tempo depois de aberto o produto deve ser utilizado e é representado por um símbolo de pote aberto com um número seguido pela letra M, de mês. “Vale sempre o que expirar primeiro, seja a validade ou o PAO. Mas, diferentemente do prazo de validade, usar produtos com o PAO expirado não é considerado infração sanitária, pois não há uma legislação nacional que obrigue o fabricante a informá-lo. Porém, ele garante maior segurança, já que o cosmético degrada mais rapidamente após entrar em contato com oxigênio, umidade e micro-organismos”, destaca Isabel. Então, vale a pena investir em alguns cuidados para conservar e garantir a eficácia do produto após aberto. “O ideal é que você mantenha o produto em locais frescos e arejados e longe do contato com o sol e, caso você note odor, coloração ou textura estranha, evite utilizá-lo”, recomenda a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Se seu sabonete está fora da validade, você pode optar pelo uso do álcool em gel para substituí-lo, que também tem um prazo de validade e um período após aberto. “Mas lembre-se que, para ter a mesma eficácia que o sabonete no combate aos microrganismos presentes nas mãos, álcool em gel deve ser composto por 70% de álcool.

Produtos que possuem uma concentração menor da substância não são realmente eficazes na eliminação dos microrganismos, pois não conseguem desestruturar as proteínas que revestem a parede celular do agente infeccioso”, alerta a dermatologista e tricologista Dra. Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Além disso, é importante ressaltar que, caso suas mãos estejam demasiadamente sujas, o álcool em gel não substitui a higiene com água e sabão. Isso porque a sujeira interfere no mecanismo de ação do álcool, fazendo com que perca sua eficácia.”

Por fim, caso ambos os produtos estejam vencidos ou em falta em sua casa, o recomendado é que você adquira um novo o quanto antes, pois a higiene frequente das mãos é indispensável para combater o novo Coronavírus. “Mas, ao invés de sair correndo para a farmácia mais próxima para comprar um sabonete ou álcool em gel, tente adquirir, se possível, o produto pela internet ou por aplicativos e sistemas de delivery. Para impedirmos a proliferação e transmissão do vírus causador da COVID-19, é fundamental respeitarmos esse período de isolamento social, evitando ao máximo sair de casa”, finaliza a Dra. Paola Pomerantzeff, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

FONTES:

*DRA. CLAUDIA MARÇAL: Médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.

*DRA. KÉDIMA NASSIF: Dermatologista e Tricologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da Associação Brasileira de Restauração Capilar. Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, possui Residência Médica em Dermatologia também pela UFMG; realizou complementação em Tricologia no Hospital do Servidor Público Municipal, transplante capilar pela FMABC e em Cosmiatria e Laser pela FMABC. Além disso, atuou como voluntária no ensino de Tricologia no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo. www.kedimanassif.com.br

*ISABEL LUIZA PIATTI: Especialista em Estética e Cosmetologia, embaixadora do CIA – Centro e Instituto Internacional de Aprimoramento e Pesquisas Científicas, Membro do Conselho Científico da Academia Brasileira de Estética Científica – ABEC. Profissional Aisthesis. Tecnóloga em Estética e Imagem Pessoal. Técnica em Estética. Pós-Graduanda em Estética e Exercício Físico na Saúde da Mulher. Especialista em Cosmetologia. Especialização em Escolas de Estética e Terapias Alternativas na Europa, na área Facial, Corporal e Bem-Estar. Palestrante no VI Congresso Mundial de Medicina Estética da IAAM/ASIME. Palestrante em Congressos da área da Saúde Estética Nacionais e Mundiais. Consultora técnica de revistas e sites da área de Beleza e Estética. Autora dos Livros “Biossegurança Estética & Imagem Pessoal – Formalização do Estabelecimento, Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança” e “Gestantes: Cuidados Estéticos Durante a Gravidez”.

DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. http://www.drapaola.me/